DE EXU A DIABO: Uma revisitação à literatura umbandista brasileira dos séculos XX e XXI /DE EXU AL DIABLO: Una revisión de la literatura umbanda brasileña de los siglos XX y XXI




INTRODUÇÃO


    A Umbanda não parece ser um fenômeno religioso anterior ao período de Zélio de Moraes. Ao que tudo indica foi fundada em 1908 por ele no Rio de Janeiro (CUMINO, 2015; CORRAL, 2010). Não obstante, Alexandre Cumino confessa que, "muitos brasileiros não sabem sequer que a Umbanda é uma religião brasileira; pensam que é africana ou afro-brasileira" (CUMINO, 2015, p. 197). De fato, Zélio de Moraes era um homem simples, carioca, de família católico, mas que teve suas primeiras experiências com o Caboclo das Sete Encruzilhadas ainda no começo do século passado em um centro espírita da Federação Espírita do Rio de Janeiro sediada em Niterói. Daí que paulatinamente a Umbanda cresceu no país depois de sua primeira sessão pública, diante de membros da federação; ali Zélio funda a Tenda Nossa Senhora da Piedade e outras sete posteriormente (JÚNIOR, 2011, p. 13ss; CORRAL; 2010; CUMINO, 2015).

        Por outro lado, alguns autores remontam a Umbanda até "Moisés e Abraão" chegando a afirmar que ela é "a única religião verdadeira" (BITTENCOURT, 2004, p. 14). Na tradição omolocô, promovida por Dyron Torres e Tancredo da Silva, tinha-se a ideia de que a Umbanda existe desde o começo do mundo:


A humanidade não deixou de existir, após à sua queda, mas fugiu-lhe a consciência de seu alto destino, ao mesmo tempo que deixou de dominar os elementos. Todavia, no decurso da história desta humanidade decaída, alguns homens, iluminados por uma intuição poderosa, conseguiram penetrar o denso mistério que envolve os enigmas do Universo, a origem e o destino da alma humana. Esses homens foram os profetas, os guias religiosos, os mestres do ocultismo, os grão-sacerdotes das seitas de Umbanda e dos cultos da Índia e da China (FREITAS; PINTO, 1953). 


      Entretanto, noutra obra, os autores parecem mudar tal conclusão no que diz respeito à origem e agora dão a África como seu berço originário. Assim, "a Umbanda é de origem, indiscutivelmente, africana, não obstante as teorias desenvolvidas por elementos não categorizados" (FREITAS; PINTO, 1972, p. 113). Assim, Tancredo e Dyron distanciam-se portanto da ideia de uma religião nacional; a Umbanda não teria elementos africanistas, mas ela mesma o seria de per se. 

     A perspectiva da Umbanda Esotérica de W. W. Da Mata e Silva, considera que "a Umbanda, esta Anciã [...], perdeu o dia do seu nascimento nas noites da Eternidade [...]" (SILVA, 1957) o que nos recorda das primeiras colocações de Tancredo da Silva. A despeito disso, sob uma ótica mais recente, Felipe de Campos entende todas as religiões como uma criação humana -- e talvez inclua a Umbanda nisto, a saber: 


Devemos entender que a religião é uma invenção humana, jamais poderemos conceber que exista religião no plano espiritual, pois, não existe, é uma pura criação humana, logo, imperfeita. (CAMPOS, 2014, p. 7).


    Deste ponto de vista, muito se aludiu a Exu com relação às suas características na tradição brasileira (JÚNIOR, 2011; CUMINO, 2015).


  1. NA UMBANDA TRADICIONAL


       Com efeito, em breve passagem histórica pela literatura tradicional durante o século XX acerca da figura de Exu pode-se observar diversas nuances. O próprio Zélio de Moraes descreve a Linha de Esquerda, comandada pelos Exus, da seguinte maneira:


"O trabalho com os Exus requer muito cuidado [por causa dos erros de alguns médiuns...]. Considero Exu um espírito que foi despertado das trevas e, progredindo na escala evolutiva, trabalha em benefício dos necessitados [...]. E o Exu é um espírito que se prontifica a fazer o bem, porque cada passo que dá em benefício de alguém é mais uma luz que adquire [...]" (ed. Átila Nunes Filho, revista: Gira da Umbanda: "Eu Fundei a Umbanda há 64 anos!", ano 1, n. 1, 1972; apud CUMINO, 2015, p. 126; colchetes nosso).




     Sob esta perspectiva, um dos principais iniciados diretos de Zélio, o Dr. Leal de Souza cita um caso no qual a participação de Exu finda com o mal físico de um dos participantes, em uma gira, a fim fornecer descrição de como se davam os trabalhos que nosso autor chama de "magia negra". Di-lo:


As entidades espirituais que realizam esses trabalhos [de magia negra], possuem sinistra sabedoria, recursos verdadeiramente formidáveis, e energia fluídica aterradora. Um desses espíritos tem se prestado à experiências, não só diante de conhecedores do espiritismo, como perante pessoas de brilho social no círculos da elegância. Assim, tomando o seu aparelho, isto é, incorporando-se ao seu médium, faz triturar com os dentes, sem ferir-se, cacos de vidro. Caminha de pés descalços, sobre um estendal de fundos de garrafas quebradas, sendo que, por duas vezes, convidados, levaram as garrafas e as quebraram, aguçando lâminas pontudas para o passeio do médium. Ele demonstrou de uma feita, a um grupo de curiosos da alta sociedade, a importância de coisas aparentemente insignificantes. Nos centros do espiritismo de linha, pede-se, durante as sessões, que ninguém encruze as pernas e os braços. Parece uma exigência ridícula, e não o é. Provou-o, Exu. Quando, incorporado, passeava descalço sobre os cacos de vidro, para fazer compreender a transcendência daquela recomendação, mandou que uma senhora trançasse a perna, e logo os pedaços de vidro penetraram, ensangüentando-se, os pés que os pisavam" (SOUZA, 1933, pp. 37-38).


       Apesar de ser um texto essencialmente ambíguo, não se diz se o médium recuperou-se ou mesmo a senhora sua saúde das pernas, na sessão, após o ocorrido. No entanto, depreende-se disso uma certa possibilidade de fazer acordos com Exu, isto é, tratar-se-ia de algo factível na literatura religiosa.




1.2. NA TRADIÇÃO OMOLOCÔ


      Cabe salientar antes de tudo que, por sua vez, na "fundação" da Umbanda que aludimos anteriormente, depois de baixar o Caboclo das Sete Encruzilhadas, também se fez presente um Preto Velho (CORRAL, 2010), o que é significativo do ponto de vista afro-brasileiro para tal religião. Dito isto, segundo Dyron Torres e Tancredo Pinto (1957) por Exu ser um agente mágico e universal, intermediário entre os orixás e os homens, faz tanto o bem quanto o mal. No capítulo IV de seu As Mirongas de Umbanda conta para ilustrá-lo que caso peçamos um malefício, "Exu nos atenderá mas a responsabilidade pelo malefício não será de Exu, porém nossa" (FREITAS; PINTO, 1957). Para eles,



Em muitos terreiros, há uma espécie de abrigo ao lado. Nesse abrigo, acha-se um otá sentado, representando Exu e Pomba-Gira, os guardiães do terreiro. Relembra-se, a propósito, que Exu é o agente mágico universal, por cujo intermédio o mundo dos vivos se comunica com o mundo espiritual, em seus diversos planos [ou seja: superior e inferior]. [...] antes de se abrir um terreiro, e para evitar o mal visível e invisível que possa perturbar os trabalhos, reforça-se os guardiães de acordo com o preceito, isto é, dá-se o miamimi (farofa amarela), um quico (galo), agé (galinha), menga de quicó (sangue de galo) etc" [...]. [O] cambono deposita o ebó na encruzilhada escondida, em oferenda a Exu, para que este feche os caminhos aos maus elementos" [...]. É errado dizer-se que tudo o que se vê na encruzilhada é para fins de magia negra. Assim, o "despacho" (ebó) que se vê na encruzilhada pode ou não conter dinheiro. O ebó com dinheiro tem o objetivo de transferir o mal para o curioso que apanhar esse dinheiro. Tira-se o mal da pessoa amiga para descarregá-lo em algum simplório ou ganancioso.. Nesse caso, os macumbeiros não estão jogando dinheiro fora, o ebó sem dinheiro é uma oferenda, uma obrigação que se cumpre (FREITAS; PINTO, 1972, p. 36-37; colchetes nosso).


       Nesse sentido, ao se apresentar uma possibilidade – através de expressões como "pode ser" – no que diz respeito à transferência de um mal a uma pessoa considerada "simplória" ou "gananciosa", admite-se que Exu pode transferir tal mazela, porquanto recebendo um "presente" poderá fazer o bem ou o mal. O que parece uma consequência evidente.




  1. INTERMEDIÁRIO E DIABO?



        Olhando retrospectivamente, outro autor importante na história da Umbanda é Lourenço Braga. Para ele há espíritos interesseiros na Quimbanda, à margem do culto umbandista, mas às vezes ligado a ele. Após listar as sete linhas do que chama de "Lei de Quimbanda" -- das Almas, dos Caveiras, de Nagô, de Malei, de Mossuribi, de Caboclos Quimbandeiros e a Mista --, Lourenço Braga afirma que os espíritos da "linha [Mista] se comprazem em fazer o mal" (BRAGA, 1942, vol. I, cap. IV; cf. Apud. CUMINO, 2015, Anexo 6, p. 372-3). E continua:


Os espíritos das outras linhas da Lei de Quimbanda são astutos, egoístas, sagazes, persistentes, interesseiros, vingativos, etc; porém, agem diretamente e se orgulham das vitórias obtidas. Muitas vezes praticam o bem e o mal, a troco de presentes nas encruzilhadas, nos cemitérios, nas matas, no mar, nos rios, nas pedreiras e nas campinas. [...] Todos os espíritos da Lei de Quimbanda possuem Luz vermelha sendo que o chamado, "Maiorial", conhecido no catolicismo como Satã, Satanás, Diabo, Capeta, Lúcifer, Príncipe do Fogo, Tinhoso, Anjo do Mal, etc., possui uma irradiação de luz tão forte que nenhum de nós suportaria sua aproximação. A palavra Exu é corruptela de Exu que quer dizer 'anjo caido'. Dirão os católicos e protestantes: então é verdade que o diabo existe! Dirão os espíritas: que absurda esta afirmação!" (BRAGA, 1942; apud. CUMINO, 2015, p.372-3).



     Depois desta explicação pouco intuitiva e totalmente embaraçosa para católicos e espíritas, Lourenço Braga tentou explicar-se dizendo que, assim como os demais, Exu não está preso no processo de evolução; pelo contrário,


Ele não é uma entidade eternamente devotada ao mal [...]. É ele um espírito efeito ao mal, pela sua obstinação, porém, tudo no mundo tem sua razão de ser e não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe. (BRAGA, 1942; apud CUMINO, 2015, pp.372-3).



     Não obstante tenha mudado de opinião em relação às Linhas do que ele chama de "Lei de Umbanda", no segundo volume de sua obra, não retocou em nada o que disse da Lei de Quimbanda (CUMINO, 2015, p. 375). Por isso o que faz Lourenço Braga, ao mesclar conceitos populares no Cristianismo e no Espiritismo, fomentou uma cultura de estigma em relação a Exu.



  1. ENTRE OS AUTORES SUBSEQUENTES


           É quase impossível precisar a qual tradição pertencia tal ou tal autor. Por isso, abordaremos também a questão religiosa de modo cronológico. Como colocado, a relação Exu/Mal desenvolveu-se entre os autores tradicionais e próximos da cultura africana. Por outro lado, autores influenciados pela mentalidade católica e ocultista vigente na sociedade brasileira parecem ter tido certa parte de composição dentro e fora da literatura propriamente umbandista. Internamente, pode-se recordar de Aluízio Fontenelle (a grafia de seu nome varia conforme o autor que o cita). Tal autor nos legou um tratado completo sobre Exu, que leva em seu título esse mesmo nome e no qual ele sistematiza sua doutrina, intitulado simplesmente "Exu". Na Part. III, cap. X, lê-se:


[...] de fato existe nas diversas práticas do Espiritismo [...] as entidades do mal que com a denominação de Exus - nas Leis de Umbanda e Quimbanda -, representam o que os Católicos, Protestantes, etc., chamam de Demônios ou Anjos Maus, e que na Doutrina de Kardec são chamados de Espíritos Maus [também conhecidos como obsessores] invocados nos trabalhos de Magia Negra" (FONTENELLE, 1952, p. 89).


      No trecho que exposto, o autor faz uma curiosa relação entre Exus e os espíritos obsessores (baixos), que não se é comum mais nos livros de doutrinação umbandista. É claro que alguns dos autores católicos àquela época, em plena polêmica, não perderam a oportunidade de fazer apologética sobre isso.

     Frei Boaventura Kloppenburg O. F. M., menciona este autor, conforme uma edição de seu livro, a qual ele possuía -- mas que nosso leitor pode consultar com divergências de páginas, os mesmos textos, na edição que já aludimos acima -- com os dizeres que segue, a saber:


O Sr. Aluizio Fontenelle, em uma obra de 272 páginas, com o título de "Exu" (Rio, 1952) diz de si mesmo: 'Orientado em grande parte pelos meus Guias Espirituais, pelos próprios Exus e ainda: aliado ao profundo conhecimento sobre Magia, como sacerdote que sou dos diversos cultos de Umbanda; além de conhecedor real de tôdas as práticas que se exercem nos diversos terreiros onde se praticam os Botuques, Candomblés, Cangerês, etc., posso perfeitamente, como catedrático no assunto, mostrar-lhes o que é verdadeiramente um Exu' (p. 94). Pois bem, este autor, como, aliás, também outros doutrinadores de Umbanda, identifica sem mais os exus com o que nós católicos denominamos 'demônios' (pp. 93, 103-116: onde descreve a história da revolta dos anjos, chefiados por Lúcifer: estes anjos revoltados, diz ele, são os exus). 'Podem os Exus dar-nos forças suficientes para com o mal prejudicarmos nossos semelhantes... Eles atuam da maneira mais variada possível. Mostram-se mansos como cordeiros, porém o seu íntimo é uma gargalhada demoníaca de gôzo. Poderemos usá-los também como armas contra os malefícios que nos fizeram, pois, interesseiros como são, tanto se lhes dá, seja nossa ou de outrem, a alma ou o espírito que pretendem arrastar' (p. 97). 'O Exu é em via de regra interesseiro, e, se lhe damos um presente (despacho!), fatalmente ele irá cumprir o que pedimos, pouco se importando que o resultado bom ou mau possa repercutir no Mundo Terreno, pois que só lhe apraz tazer o que está errado e é para isso que eles existem" (p. 101).'. 'Sendo o Exu o dono principal das Ruas e Encruzilhadas, é a ele quem primeiro de-vemos salvar, pois é somente com a sua licença que podemos dirigir um trabalho de Magia, pelo fato de ser ainda ele o elemento mágico universal' (p. 100). (KLOPPENBURG, 1960, p. 135).



      Para o Frei, a relação da personagem Lúcifer, Satanás ou Diabo tratar-se-ia de sinônimo para Exu. Tal quadro parece-lhe indubitável uma vez que Fontenelle aparentemente certo do que dizia, apresenta explicitamente tal relação, não obstante omita seus motivos para tal. Com sua mistura terminológica a obra de Fontenelle corrobora com toda a descrição fornecida pelo sacerdote. E isto, para ele, era algo de caráter imprescindível no contexto que ele descreve as funções e características de Exu, sobretudo entre os mais ricos.


É muito comum hoje em dia, mesmo entre os elementos da alta sociedade, verem-se casos de larga procura aos Quimbandeiros, para que estes realizem trabalhos de macumbas, feitiçarias, despachos, etc., com a finalidade de conseguirem desmanches de casamentos, aproximações de amantes, enfim, uma série de trabalhos próprios dos Exus, num crescer constante de maldade, perversidade e falta de bom-senso (FONTENELLE, 1952, p. 98).


      Além disso, é que, concomitantemente, muitos dos jornais da época relatem exatamente a perseguição dessa comunidade que sob uma perspetiva de cumprir a lei, não logrou de justiça em diversas prisões de dirigentes de centros; os casos, evidentemente, sempre foram relatados de forma pejorativa pelos jornais. Vários são os exemplos.


Quando Roberto Pinto de Menezes, "babá de Orixá", ou "Pai de Santo", trajando a indumentária apropriada a fim de "baixar" "Exu" no terreiro da Tenda São Jorge, na avenida Meriti, 1567, em Vicente de Carvalho, e os "crentes" esperavam o "santo" - uma interferência inusitada ocorreu. O detetive Otavio de Souza e os investigadores Bretas e Venancio, do Serviço de Repressão a Tóxicos e Mistificações, da Delegacia de Costumes, invadiram o terreiro e, sem respeitarem o representante de uma das Sete Linhas de Umbanda ou de Quimbanda deram "cana" no "babá de Orixá". Roberto, que conta 35 anos, é casado, eletricista, desrespeitando as determinações expressas do Código de Contravenções Penais, estava em plena prática de curandeirismo, explorando a credulidade pública. Assim, o delegado Zildo Jorge, daquela especializada, mandou autuá-lo como incurso no artigo 27 daquele Código, sabendo-se ainda que Roberto é reincidente naquela prática, tendo já uma vez passado por aquele serviço, quando foi também autuado em flagrante. O "Pai de Santo" que não teve tempo de mudar de roupa, foi conduzido para aquela delegacia ainda metido na indumentária que usava no terreiro, e que faz parte do cerimonial de Umbanda. Interrogado pela reportagem, Roberto declarou que aquilo era uma "provocação", e que no fim de tudo seria absolvido, como já o fôra uma vez. Que era Umbandista e que a sua "fé" era indestrutível... (Jornal A Noite - 25 de Julho de 1951).


         Recentemente, a revisitação das obras de Fontenelle tem tido inclinação à correção, embora observe o dado histórico. Alexandre Cumino (2018), por exemplo, explicita que Aluízio Fontenelle "tem uma postura dura e crítica na sua forma de expressar a Umbanda". Não obstante, foi um dos autores "mais copiados e mal compreendidos na religião [umbandista]" (CUMINO, 2018, p. 256). De fato influenciou a muitos, como veremos.

        Embora admita uma demonização externa, Cumino diz que ao comparar os Exus com os demônios e, consequentemente, à magia negra, Fontenelle "deu início a uma demonização de dentro para fora". Mas, no fim, enquanto umbandista admite que "a partir do momento que identificamos Exus com 'demônios', em seu sentido popular de ser, nós mesmos estamos dando lenha para ascender a fogueira da discriminação [por causa da demonização]. Suas tabelas e relações [entre Exus e demônios], foram largamente usadas na Quimbanda brasileira" (CUMINO, 2018, p.256). Desse modo, o autor aponta que o escrito de Fontenelle foi "sem dúvida nenhuma, o ponto de partida da demonização de Exu que houve de dentro para fora na Umbanda, que tanta confusão criou e cria entre umbandistas que ainda não entenderam que Exu é Orixá e Guardião" (CUMINO, 2018, p. 112). Em suma, para Cumino, o conceito de Diabo conforme conhecemos na mentalidade cristã popular e que "é uma criação criação católica [...] no empenho de controlar fiéis" (CUMINO, 2018, p. 53), para ele, foi simplesmente absolvido por Fontenelle e diversos outros autores por meio de sua influência.

       Ademais, é preciso recordar que anos antes ao que escreveu Fontenelle, Leal de Souza -- já citado -- também fomentou uma relação entre Exu e a nomeada Magia Negra, em seu tempo, o que indica ter desaguado nesta relação que fez Fontenelle, dedicando dois capítulos inteiros a essa relação (cf. XIV e XV de seu "Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda"). Portanto, há indícios para que se pense não tratar-se de uma inovação interpretativa aleatória das ações voltadas para o que se entendia por mal em relação a Exu, mas da mistura de percepções embora menos sóbria que aquela apresentada por Zélio de Moares e Tancredo da Silva.

         Entre Fontenelle e Cumino, há algo muito curioso, outrossim, que ainda pode-se citar. Além da abismal distância no tempo que os separa, na obra de Cumino se pode ler as palavras do próprio Exu afirmando sobre si mesmo: "Dizem que faço o bem e faço o mal, no entanto, aqueles que assim afirmam não sabem a diferença entre bem e mal entre certo e errado" (CUMINO. 2018,  p. 95). Porém, segundo Fontenelle, as entidades que dirigiram seu trabalho escrito fizeram questão de avisar sobre Exu que "ele tanto serve para o bem, como serve para o mal" (FONTENELLE, 1945, pp. 11-13; apud CUMINO, 2018,  pp. 109-10). Como parece no mínimo peculiar que Exu tenha se enganado porque o tempo passou de um autor para o outro – talvez tenha – evoluído, quem sabe? Tal foi o parecer que foi interpretado depois de Fontenelle.


  1. UM PANORAMA DO DESENVOLVIMENTO


       Partindo do exposto por Lourenço Braga e Aluízio Fontenelle (mais deste que daquele) tal quadro será repetido também feito por António de Alva. Entrementes, Alva visa proeminentemente a mentalidade cristã. Descrevendo como se dá o processo aludido anteriormente pelos autores, ele propõe uma distinção muito fértil para a posterior formação da literatura. Explica-o:


Há Exus que, conhecidos como Exus batizados, praticamente só trabalham para o bem, só praticam o bem, apesar de serem, como o são, Exus. No entanto, em sua grande e quase total maioria, os Exus (pelo menos eles) só trabalham para o mal ou, pelo menos, só fazem coisas que, a bem da verdade, não podem ser consideradas aconselháveis ou como boas, muito menos (ALVA, 1973, p. 151).



       Em suma, Exu pode evoluir, se quiser, para o autor. Mas essencialmente, "Kiumba ou Exu, portanto, é, a meu ver, um espírito que considero Missionário do Mal, pertencente à categoria dos Espíritos Imperfeitos ou Impuros" (ALVA, 1973, p. 18). Para demonstrá-lo, tornando-o factível a seu ver, António de Alva relata sua própria história de vida, e conclui: "[...] como também já amava muito ao Diabo (é coisa inata em mim) resolvi interceder em favor do amigo Diabo, o mesmo que, para os umbandistas, têm o nome de Exu, ou melhor, Exu Lúcifer" (ALVA, 1973, p. 122).

        No que diz respeito às características dos exus a influência de Fontenelle torna-se mais indubitável. Na obra "No Reino dos Exus", seu autor proclamando-se a si mesmo como um autêntico umbandista que não compartilha das práticas más (BITTENCOURT, 2004, p. 17), chamando os umbandistas de "irmãos" e os quimbandeiros de "primos" (Idem, p. 70) e apoiando-se em sua experiência, isto é, "Nas minhas pesquisas para a feitura deste trabalho, muitas e muitas Luas foram necessárias, muitas consultas elaboradas aos membros do Alto Comando dos Exus, e assim, vou atingindo a minha meta com toda a humildade de Pai-de-Santo que sou" (BITTENCOURT, 2004, p.75), o Babalorixá José Maria Bittencourt relacionando-as aos Exus, ensinou que,


[A  Pomba-Gira] exerce forte domínio, nos casos amorosos, unindo ou separando os casais, conforme for solicitada. De modo geral, é a protetora das infelizes prostitutas, que recorrem aos seus serviços, a fim de conquistarem o amor ilícito*, de um cidadão que as desprezam, favorecendo os meios financeiros para o alcance de tal objetivo (BITTENCOURT, 2004, p. 28).



        O famoso Exu Mirim, ademais, faz coisas tão más em nome da traquinagem que só ele pode desmanchar, deixando as pessoas como seus reféns:


É o primeiro comandado de Exu da Meia-Noite. Sua apresentação é na forma de uma criança endiabrada, misturando-se em trabalhos ou festas, dedicados exclusivamente aos Ibejis, causando transtornos aos chefes de Terreiros. *A sua atuação em trabalhos maléficos produz efeitos aterrorizantes, os quais nenhum outro Exu poderá desmanchar nem deles participar, pois, segundo a lei férrea da Quimbanda, eles são invulneráveis por serem consideradas normais as traquina gens dos Exus mirins. Assim, somente eles próprios podem desmanchar os seus trabalhos maléficos, aos quais consideram brincadeira. A única maneira de se abrandar a fúria dos Exus Mirins, é presen teá-los com brinquedos e doces, anulando, desta forma, suas ações nefastas (BITTENCOURT, 2004, p. 59).



       Além disso, tendo o nome de Exu Ganga, que "é o quinto comandado de Exu da Meia-Noite. Possui alto poder maléfico. Seus trabalhos são feitos exclusivamente nos cemitérios, tanto para o bem quanto para o mal, podendo o mesmo curar ou matar, conforme solicitação" (BITTENCOURT, 2004, p. 62). Mais ainda, o Exu Quirombô que, "sua preferência está em induzir mocinhas à prostituição [...]. É muito invocado na Magia Negra por homens sem escrúpulos, a fim de obter o amor pecaminoso e arrastar para a lama jovens inocentes" (Ibid, p. 63-4).

      Bittencourt observa, também, as Linhas de Quimbanda conforme em acordo com Lourenço Braga. É o caso da Linha Nagô "que [seus membros] só vivem nas trevas" (Idem, p. 67-8), liderada pelo Exu Gerere; a Linha Mista, que "causa doenças incuráveis" (Idem, p. 68); Linha Malei que "causa vícios" (Ibid); etc, etc.



  1. A REINTERPRETAÇÃO E SEUS PORQUÊS


        Por outro lado, hodiernamente esta percepção vem sendo revisada. Felipe de Campos, em seu "Umbanda: a religião dos Mistérios" (ed. Autor, 2014), além de dizer que Exu "só faz o bem", tenta  justificar a visão de seus antepassados.


"Pela umbanda ter passado anos e anos sendo tratada dessa forma [sem estudo detido de sua doutrina] por pessoas que não conhecem sua própria religião que muitos mitos e histórias foram criados, e não é difícil encontrar explicações das mais estranhas e infundadas em internet, anotações e em conversas de terreiro, inclusive por atos como esses que um mistério tão grande e lindo como o mistério de Exu foi totalmente desvirtuado por muitas pessoas, pois, existem ainda pessoas que em consultas com Exus pedem o mal para outros, pois, acreditam que Exu faz o bem e o mal, o que de forma alguma é verdade, Exu é um mistério divino e como tal só faz o bem (CAMPOS, 2014, p. 18).


        Ademais, para não restar dúvidas, explica a posição anterior de certos autores uma vez que sua posição como autor acaba por lhe conceder tal compromisso. Para ele, 


Até bem pouco tempo atrás eram considerados demônios, espíritos maldosos e atrasados que faziam mal às pessoas ou faziam o trabalho que era menosprezado pelos demais, como se fossem os que sujam literalmente as mãos. Porém, com muita alegria e felicidade esses tempos cada vez mais ficam distantes e o que vemos hoje é o real entendimento do que representa ser um Exu de Umbanda e como tal, ser um guardião natural da Lei Maior e da Justiça Divina. (CAMPOS, 2014, p. 74).



        Apesar das entrelinhas, representando a polêmica tradição de Umbanda Sagrada, por ele mesmo fundada, o autor Rubens Saraceni parece acenar para o mesmo fator e problema relacionado, isto é, "A Umbanda, no seu início, por ter uma forte influência cristã, teve dificuldade em lidar com o já conhecido e temido Exu da tradição oral nagô, que o descrevia como perigoso e de difícil controle porque ele escapava à regra de procedimento dos outros Orixás*" (SARACENI, 2013, p. 65). Ou seja,


No princípio, quando alguém sentia que havia perdido algo (paz, equilíbrio, harmonia interior, saúde, amigos, prosperidade, fartura,abundância, posses, poderes, etc.), recorria a Exu, e, na maioria dos casos, ele resolvia tudo a contento, apenas falhando em um caso ououtro, porque ali eram outros Orixás que deveriam atuar. O poder de Exu impressionava até seus cultuadores mais céticos ou contrários a transferir para as divindades a solução de problemas tipicamente terrenos ou humanos. Assim, Exu conquistou uma legião incontável de adoradores que o tinham na mais alta estima, isto há milênios, bem no centro da África, em uma vasta região ocupada por vários povos, comumente chamados aqui no Brasil de "nagôs" ou "iorubás" (da língua iorubá). Mas algum inspirado sabe-se lá por quem, deduziu que se o pólo negativo servia para retirar e o polo positivo para devolver, então, invertendo suas funções naturais na criação e ativando-o de forma invertida, Exu tiraria o equilíbrio e devolveria desequilíbrio; tiraria a paz e devolveria tormentos; tiraria a saúde e devolveria doenças; tiraria a prosperidade e devolveria a miséria, etc. Como na magia invertida tudo funciona ao contrário mesmo, foi dito e feito: Exu "funcionava" a partir de invocações e determinações, rezas e orações invertidas ou destrutivas. Essa descoberta espalhou-se rapidamente, e pouco tempo depois era de conhecimento geral que Exu tanto podia ajudar quanto prejudicar. Aí, em vez de ter só uma legião de pessoas que se dirigia a ele para pedir o bem para si, formou-se outra, composta por pessoas invejosas, vaidosas, prepotentes, frustradas, magoadas, iradas, etc.,que passaram a invocá-lo e oferendá-lo com propósitos mesquinhos, nocivos e destrutivos. Ao longo do tempo, cristalizou-se na mente de muitos que Exu tanto ajuda quanto atrapalha, e esse mesmo tempo tomou-o um Orixá temido, evitado e odiado por muitos, sendo que só uns poucos identificaram os verdadeiros responsáveis por esse desvirtuamento de um mistério da criação e pela inversão e distorção de suas funções na vida dos seres: foram os seres humanos desequilibrados [...] Mas aqui, no nosso lado material da vida, não tem mais jeito, e Exu continuará sendo visto como um Orixá que tanto pode ajudar quanto atrapalhar a vida das pessoas. (SARACENI, 2013, pp. 133-4).



       Em contraste com isto, pode-se ler na autora Janaína Azevedo Corral, ensina que: "Exus e Pomba-Giras, tal qual qualquer espírito humano, são dotados de livre-arbítrio. Eles não devem, e são orientados em não fazê-lo, mas eles podem, sim, praticar magia negra" (CORRAL, 2010, p.26). Para muitas pessoas, alguns pontos cantados, como "A porteira do Inferno estremeceu E o povo corre para ver quem é, é a Rainha Pomba-Gira, Seu Tranca-Rua, Sete Encruza, Lúcifer" (CORRAL, 2010, p. 9), sugerem o que alguns autores antigos ensinavam sobre Exu. Por esse tipo de coisa, por exemplo, José Bittencourt pensava que,


A Umbanda é o lado positivo, o lado bom da vida espiritual, que conduz seus filhos pela estrada do bem até à presença do Supremo Mestre. A Quimbanda é o lado negativo, o lado oposto, com seus dogmas falsos, *tendo à sua frente o senhor absoluto das trevas* -- sua Alteza, Lúcifer, também conhecido como O Anjo Belo" (No Reino dos Exus, 6. ed. Pallas: São Paulo, 2004, p. 14). 


       Demais, segundo o autor, "Sua Alteza" também faz o mal, a saber: "Atende com prazer, quando solicitado, nos diversos trabalhos de sua alçada, principalmente para desmanchar seus próprios malefícios (em trabalhos de Quimbanda, solicitados pela Umbanda)" (BITTENCOURT, 2004, p. 20).

      Entrementes, uma outra autora recente, Iassan Ayporê Pery que, inclusive não é favorável a sacrifícios nos rituais umbandistas (PERY, 2008, p. 88), contra o que dizem diversos autores (PINTO; FREITAS, 1972, pp. 36-7), em sua obra na qual esclarece pontos essenciais da sua prática religiosa, explicita contra a tese de Saraceni quanto a Exu ser orixá, mas em favor de sua separação da figura do Diabo, que:


Na Umbanda não consideramos Exu Orixá, mas sim trabalhadores em franca evolução, sob as ordens diretas de Enviado de Orixá. Portanto, não existe isso de pedir o mal a Exu. Essa concepção de que Exu tanto faz o mal quanto o bem, contraria qualquer lógica dentro da Umbanda e nos coloca à mercê das forças trevosas. Isso também precisa mudar! (PERY, 2008, p. 58).



    Em outra oportunidade, a autora relega à categoria de mito a concepção evolutiva/favor/mal/Diabo disposta em outros autores.   Isto é, 


Seguindo o mesmo raciocínio, outro mito que não tem base alguma é “Exu tanto faz o mal quanto faz o bem e depende de quem pede. Nós é que somos os maus na história”. Não existe “defesa” pior para Exu do que esta, pois trata-se de outra incoerência! Se uma criança sabe diferenciar o bem do mal, como Exu, conhecedor de segredos de magia, manipulador de magia, defensor, combatente de forças trevosas possa ser tão imbecil a ponto de não diferenciar o bem e do mal e o que é pior trair a confiança de Caboclo e Pretos Velhos? E ainda por cima não ter nenhum tipo de aspiração evolutiva, ou seja, ficar sempre entregue a mercê de nossa vontade nunca aspirando evoluir? (PERY, 2008, p. 63).




    Desse modo, conforme confessa Alexandre Cumino, faz-se imprescindível que relação que se fez em parte da literatura por diversos fatores culturais entre Exu e o mal na concepção popular e, por conseguinte, com a figura do Diabo, seja rejeitada atualmente. Do contrário,


Aceitar a ideia de que Exu é cúmplice, aceitar a ideia de Exu faz o Bem e faz o Mal, é aceitar que ele seja mesmo o "demônio", "tinhoso", "coisa-ruim", "trevoso", tudo menos Exu de Lei, e, na Umbanda, Exu sempre vem na Lei quando tem lá a liberdade de dar consulta e orientar. (CUMINO, 2018, p. 128).

       

      É mister deslindar o consequente valor cultural que há na questão que se propõe observar. Na verdade, o valor cultural desta relação urge ser superado apesar de vigente. Isto explicaria o preconceito que se esvai em relação à figura de Exu. 


Do ponto de vista histórico e cultural, quando as comunidades que cultuavam Orixás perceberam. Além da segregação, o temor daqueles que os discriminavam, assumiram conscientemente a relação entre Exu e o Diabo cristão, assim representando-o, como mecanismo de afastar de seus locais e liturgia todo aquele que pudesse prejudicar suas manifestações religiosas. Nesse sentido, muitos dos nomes e pontos cantados de Exu, do ponto de vista espiritual (energia e funções) e cultural-histórico são 'infernais'. (JUNIOR, 2011, p. 98).









  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS


         Desse modo, apesar de pertinente, a distinção que Cumino faz entre "Exu de Lei" (só faz o bem) e "Exu Pagão" - aquele que pode fazer o mal, mas pode optar por evoluir praticando o bem subordinando-se à Lei de Umbanda -, também não responde tal sincretismo e nem resolve a problemática por ele criada. Pois, ela inexiste nos autores antigos e, por isso, é posterior a eles. Foi criada, segundo Cumino, para diferenciar o Exu que trabalha na Umbanda (CUMINO, 2018, p. 115), daquele que nela supostamente não teria oportunidade, mas estranhamente fugiu ao conhecimento dos "Mestres de Luz" que cuidaram de cada um daqueles textos dos autores umbandistas anteriormente citados. Isso não faz o menor sentido. Lourenço Braga Fontenelle e Bittencourt falam de "Leis de Umbanda e Quimbanda". Nada mais (BITTENCOURT, 2004; BRAGA, 1942; apud CUMINO, 2015). Em suma, a despeito disso, o problema parece mais histórico e cultural que propriamente religioso. O que nos instiga a pesquisar mais e mais sobre o tema na literatura de Umbanda.



REFERÊNCIAS.



ALVA, A. O livro dos céus: Kiumbas e Eguns. Rio de Janeiro: Editora Eco, 1973.


BITTENCOURT, J. M. No reino dos exus. 6. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2004.


CAMPOS, F. Umbanda: a religião dos mistérios. São Paulo. ed. Autor, 2014.


CORRAL, J. A. As sete linhas de umbanda – São Paulo: Universo dos Livros, 2010.


_________ O livro de esquerda da umbanda. São Paulo: Universo dos Livros, 2010.


CUMINO, A. A história da Umbanda. São Paulo: Madras Editora, 2015.


CUMINO, A. Exu não é diabo. São Paulo: Madras Editora, 2018.


 FONTENELLE, A. Exu. 2a. ed. Rio de Janeiro: Aurora, 1952.


FREITAS, B. T; PINTO, T. S. As mirongas de umbanda. 3. ed. Rio de Janeiro: Aurora, 1953.


________ Guia e ritual para organização de terreiros de umbanda. 7a. ed. Rio de Janeiro. Editora Eco, 1972.


JÚNIOR, A. B. Curso essencial de umbanda. São Paulo: Universo dos Livros, 2011.


KLOPPENBURG, B. A umbanda no Brasil: orientação para católicos, Rio de Janeiro: ed. Vozes: Petrópolis, 1960.


PERY, I. A. Umbanda: Mitos e Realidades, Niterói/RJ: Autor, 2008.


SARACENI, R. Orixá Exu: Fundamentação do Mistério de Exu na Umbanda. São Paulo: Madras Editora, 2013.


SILVA, W. W. M. Umbanda de todos nós. ed. Autor, 1957.


SOUZA, L. O espiritismo, a magia e as sete linhas de umbanda. Rio de Janeiro: Autor, 1933.

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