Sobre o uso racional das plantas medicinais







PLANTAS MEDICINAIS/ FITOTERÁPICOS



Enquanto rico arsenal de produtos químicos, orgânicos e inorgânicos as plantas medicinais são utilizadas há milhares de anos durante a história da humanidade no processo de acontecimento (SIQUEIRA; MARTINS, 2018). Nesse sentido, na contemporaneidade, muitas vezes são utilizadas como meio complementar ao tratamento já vigente (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).



No contexto brasileiro, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, de 2006, e o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, de 2008, possuem a finalidade de “garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos e promover o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional” (BRASIL, 2016; apud, PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021, p. 2). Assim, por exemplo, "a área da Nutrição vem ampliando o campo de atuação profissional devido ao aprimoramento de pesquisas científicas que buscam embasar a utilização empírica de fitoterápicos" (SIQUEIRA, MARTINS, 2018, p. 81).



SEU USO RACIONAL


O uso racional inclui a consideração de que as plantas medicinais são medicamentos, e, como tais, sujeitas a todos os cuidados que se tem com medicamentos adquiridos comercialmente. Dessa forma, devem apresentar indicação, dose, posologia, uma vez que apresentam possibilidade de interações com outros medicamentos administrados concomitantemente e devem estar sujeitas ao controle sanitário (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021, p. 10).



Entretanto, é preocupante no que diz respeito ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos o fato de que diversos usurários pensam, erroneamente, que por serem "naturais" tais produtos não apresentam toxicidade (MACHADO et al, 2014). Em contrário, variados são os efeitos adversos, podendo estar relacionados ao uso e preparação das plantas, das interações dos próprios constituintes das plantas e outros medicamentos ou da subjetividade do paciente (MACHADO et al, 2014; SANTOS et al, 2016).



Desse modo, o uso racional das plantas e fitoterápicos está sujeito às mesmas ações preventivas utilizadas no uso racional dos medicamentos, ao demonstrar sua segurança, eficácia e qualidade. Destarte, prevenindo a automedicação, promovendo campanhas de educação em saúde e instaurando estratégias que minorem a ocorrência de efeitos adversos às plantas e fitoterápicos pode-se falar de um uso racional (PEDROSO; ANDRADE; PIRES, 2021).



REFERÊNCIAS 


PEDROSO, R. S.; ANDRADE, G.; PIRES, R. H. Plantas medicinais: uma abordagem sobre o uso seguro e racional. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 31(2), e310218, 2021.



SANTOS, J. A. A.; et al. Diagnóstico e educação em saúde no uso de plantas medicinais: relato de experiência. Rev. Ciênc. Ext. v.12, n.4, p.183-196, 2016.


SIQUEIRA, A. B. L.; MARTINS, R. D. Prescrição fitoterápica por nutricionistas: percepção e adequação à prática. Vittalle – Revista de Ciências da Saúde v. 30, n. 1 (2018) 72-83.


MACHADO, H. L.; et al. Pesquisa e atividades de extensão em fitoterapia desenvolvidas pela Rede FitoCerrado: uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos por idosos em Uberlândia-MG. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, v.16, n.3, p.527-533, 2014.


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